quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O design pode trazer felicidade - Parte 2

Diante desta temática resolvi trazer para o blog de seminários mais um grande designer, Stefan Sagmeister .

Ele é austríaco, ousado e a anos defende que o Design pode tornas as pessoas mais felizes, inclusive o próprio designer.

Para apresentá-lo a vocês inclui, logo abaixo, uma entrevista feita com ele pela revista Zupi:

[Zupi] Você nasceu na Áustria, possui um estúdio em Nova York e já trabalhou em lugares como Hong Kong e Sri Lanka. Como esses diferentes lugares influenciaram seu trabalho?

Os lugares influenciam muito o processo de criação. Os países são diferentes em muitos aspectos: as pessoas para se trabalhar em conjunto, os tipos de colaboração… Mas o que mais conta é a mentalidade. Eu cresci na Áustria, e o tempo que passei lá é decisivo na vida de qualquer pessoa – o cérebro só cresce até os 28 anos, e desses 28, morei 25 lá. Minha mente recebe muita influência do meu país natal.

[Zupi] Você decidiu que queria ser designer aos 14 anos. Houve algum episódio específico nessa idade que te levou a ter essa certeza?

Como muitos designers da minha época, escolhi a área por causa das capas de álbuns. Amo música. Costumava reparar nas capas dos discos e acabei me fascinando por isso. Lembro-me de uma em particular, da banda King Crimson. O álbum chamava In the Court of the Crimson King, e a capa mostrava um rosto gritando. Fiquei encantado pela imagem, desenhei uma versão gigante dela a lápis e olhei fixo para meu desenho por horas. Naquele momento, o design me pareceu a escolha certa.

[Zupi] Seu trabalho é muito conceitual e possui vários pontos de contato com as artes plásticas. Você acha que o design também pode ser uma forma de arte?

A principal diferença entre as artes e o design é que o design deve ter uma função. A cadeira que você está sentada, por exemplo, tem entre suas funções ser confortável. Mas uma cadeira também pode ser representativa, pode transmitir algum aspecto do momento em que se vive – há muitas funções, ela não precisa ser necessariamente confortável. Já a arte não precisa ter uma função; ela pode apenas existir. Se eu me aprofundar nesta questão, minha resposta irá por água abaixo – algumas peças de design são mais artísticas que verdadeiras peças de arte. Há muitos artistas por aí que fazem obras de design sem saber; eu acredito que alguns trabalhos de design de Andy Warhol sejam melhores que sua arte – como a capa do álbum Sticky Fingers, que ele criou para os Rolling Stones. Em geral, como observador, eu não levo em consideração se foi feito por um designer ou por um artista: o que importa é se é bom ou não.

[Zupi] Você possui um pequeno estúdio em Nova York com poucos funcionários. Por que prefere mantê-lo assim?

Eu trabalhei para grandes, médios e pequenos estúdios, e descobri que as empresas menores são as que criam os melhores trabalhos. Ainda que as grandes empresas possam realizar bons trabalhos, normalmente eles são feitos por um grupo muito pequeno de pessoas. Quando há muita gente envolvida o resultado não é bom. Estúdios pequenos são mais eficientes, o cliente normalmente recebe um projeto mais bem feito. Geralmente, quando uma empresa de design consegue mais clientes, ela contrata mais pessoas. Preferimos não seguir por esse caminho. Assim, temos a chance de escolher nossos clientes – o que é bom para eles e para o público em geral, porque apenas serão feitos trabalhos para quem gostamos. Isso significa que não iremos mentir, e ficaremos mais entusiasmados para trabalhar. E o dia a dia também melhora. É ótimo chegar em casa após um dia de trabalho e saber que me esforcei por algo em que realmente acredito.

[Zupi] Seus trabalhos são normalmente orgânicos, feitos manualmente. Como você concilia essa característica com o uso da tecnologia?

Nos últimos 15 anos, tudo que desenvolvemos tem tecnologia envolvida. Algum tipo de transformação digital foi feita. A ideia de um design criado pelas máquinas nasceu com a BauHaus, e por volta de 1920, era muito interessante e fascinante, já que haviam sido eliminados os erros humanos. Mas estamos vendo isso há 90 anos, e ficou extremamente chato e entediante. Para uma pessoal normal, andando por aí, na rua, toda essa produção feita pelas máquinas é fria e não tem impacto. A maioria pensa que tudo é feito mecanicamente: se esquecem que há pessoas por trás, talvez porque a aparência do produto final se pareça com algo feito por uma máquina. Por isso alguns projetos obtém mais sucesso através de uma abordagem mais humana e pessoal...

[Zupi] Um de seus trabalhos mais conhecidos é o cartaz de uma palestra sua, que mostra seu corpo inteiro cortado com informações. Por que escolheu essa abordagem?

Na época, o termo “processo” estava em alta na área do design; era sobre o que todos falavam. Então quis utilizar esse conceito, tão discutido, de uma maneira eficiente: o pôster mostra como foi feito de maneira instantânea. Os anúncios da época costumavam ser coloridos, e eu sentia que o meu, fugindo desse padrão, expressava algumas sensações minhas sobre o design: dor e ansiedade. E, assim como todo cartaz, deveria conter uma imagem forte.


Figure 9 - Cartaz para o AIGA, Detroit

[Zupi] Quais são os seus planos para o futuro?

Gosto de me envolver com trabalhos em que eu saiba o que fazer, mas que também preservem algum mistério. Meu plano futuro é produzir um documentário sobre felicidade – sobre a minha felicidade, para ser mais específico. Escolhi um documentário porque posso inserir elementos do design nele - mas é um campo em que não tenho nenhuma experiência e pouco conhecimento. Talvez meu documentário saia terrível. Veremos no que vai dar.


Figure 10 – intervenção tipográfica nas ruas de Amsterdã: “Obsessões tornam minha vida pior e meu trabalho melhor”. A frase foi feita com 2500 moedas de 1 centavo de euro.

Sagmeister defende que o design pode ser divertido, independente da sua proposta, e que quando o caminho da diversão e deleite é utilizado as pessoas se abrem mais para absorver a mensagem que está sendo transmitida. A sua busca pelo entretenimento começou quando ele decidiu fazer seu ano sabático (ano que uma pessoa tira sem trabalhar), inquieto por se ver longe do batente, começou a realizar projetos pessoais que mais tarde servem de inspiração para os trabalhos contratados. Durante suas criações experimentais Stefan descobriu a importância da felicidade para a realização de um bom projeto, um designer feliz tende a conceber trabalhos gráficos que transmitam essa alegria, deixando as pessoas que têm contato com a arte final mais contentes e acessíveis a ideia defendida.

Sagmeister também defende que o design gráfico, apesar de ser uma forma de comunicação não deve se restringir somente à publicidade, ele é muito mais que isso e deve ser visto como um linguagem complexa e cheia de possibilidades. “É como se eu aprendesse português e só falasse sobre propaganda, venda, essas coisas...” (Stefan Sagmeister em palestra à Revista Abril, 2010). Sendo utilizado para propaganda, ou não, o importante é saber desenvolver o design da melhor maneira possível, consciente de suas implicações e dos resultados que ele pode conseguir ao influenciar pessoas.

Para ele a busca de felicidade se encontra em seus atos, escolhas que envolvam o designer com seu projeto por acreditar que aquilo é algo relevante. Dois trabalhos interessantes, de iniciativa Volkswagem (Rolighesteorin), trabalham a interação com pessoas e provocam reflexões sociais, fazendo com que se divirtam ao realizar ações corriqueiras e de cunho social.

Piano Stairs:

Legenda: Campanha para que as pessoas troquem as escadas rolantes por subir e descer escadas, diminuindo o sedentarismo.

Mais Profundo:

Legenda: Campanha para estimular as pessoas a jogarem o lixo na lixeira.

Em palestras feitas no TED, Stefan Sagmeister conta como realizar um Design Feliz, o que ele aprendeu ao desenvolver a felicidade em seus trabalhos e quais foram as atitudes que o levaram a esse caminho.

Stefan Sagmeister shares happy design


Legenda: se você quiser ver este vídeo com legenda acesse: http://www.ted.com/talks/stefan_sagmeister_shares_happy_design.html

Outros dois vídeos que possam interessar sobre este tema:

Stefan Sagmeister on what he has learned:
http://www.ted.com/talks/stefan_sagmeister_on_what_he_has_learned.html

Stefan Sagmeister: 7 rules for making more happiness:
http://www.ted.com/talk/stefan_sagmeister_7_rules_for_making_more_happiness.html

Ele defende que o design gráfico pode ser transportado, sair do lugar comum e levá-lo a ser praticado na ruas. Fora do ambiente de trabalho, Sagmeister diz, que o processo criativo se torna muito mais proveitoso e aumenta a amplitude de nossa percepção, distanciando-nos de nossos próprios jargões e fazendo-nos passar por um processo de aprendizado mais completo.

Stefan Sagmeister afirma que nos acostumamos a viver em uma rotina cheia de padrões, o que limita nossa visão criativa e leva-nos a praticar sempre os mesmos projetos, com pequenas diferenças. É nesse momento que o profissional se vê encurralado e frustrado com seus projetos, os resultados passam a não atingir o nível desejado e ser designer começa se tornar uma tarefa difícil e exaustiva. Quando Stefan se encontrou nesse entrave profissional ele se propôs a realizar anos sabáticos, com os quais descobriu novas maneiras de criar e passou a entender o design como uma vocação. Esse entendimento se deu a partir do momento em que ele passou a realiza-lo por prazer e sem se importar se seria recompensado ou não, o que resultou em uma renovação na sua forma de fazer design, preparando-o para os próximos sete anos de trabalho que se seguiriam.

Stefan Sagmeister: The power of time off

Legenda: se você quiser ver este vídeo com legenda acesse: http://www.ted.com/talks/stefan_sagmeister_the_power_of_time_off.html

Sagmeister, também, traz uma reflexão sobre a liberdade que adquirimos ao darmos o direito da certeza a todos com quem nos relacionamos. Passamos a prestar mais atenção a nossa volta, nos arriscamos em testar aquilo que nos sugerem e assim podemos transformar esses experimentos em algo concreto, como uma propaganda por exemplo.

Um de seus últimos trabalhos com maior destaque foi a campanha publicitária global “Here for good” para o Standar Chartered Bank. O trabalho foi realizado em parceria com TBWA, um dos vídeos criados tem sua ideia central inspirada em trabalhos experimentais realizados anos antes pelo designer, enquanto os outros dois têm linguagens diferentes dialogando com culturas diversas. Os anúncios de TV, outdoor e impresso atingem, também, a Ásia, África e Oriente Médio, e têm o objetivo de enfatizar o compromisso da marca em ser uma força positiva em todos os negócios e em apoiar as comunidades na criação de um futuro próspero e sustentável.

Trabalho Experimental (feito para outdoors encomendados por uma empresa francesa):


Here for Good:

Here for good Anthem:

Here for good Progress:

Here for good Long Run:

O Toque inconfundível de Sagmeister se dá pela presença do orgânico, o manual, as experimentações e a preocupação com a aproximação da campanha com o ser humano. Sua forma de realizar design tem trazido experiências ao público, levando-os a compreender através de sensações a mensagem transmitida. Stefan Sagmeister é uma figura ícone do design contemporâneo e prova a cada projeto realizado que o design, pode sim trazer felicidade.

Espero que tenham gostado,

Iara Zorzal


Para quem se interessar segue links para acompanhar o making of da campanha “Here for good”:

http://www.youtube.com/watch?v=FHJI-EKd64o

http://www.youtube.com/watch?v=zu9fWyrPncs

http://www.youtube.com/watch?v=VCMBf_00-mY


A pesquisa para este post foi realizada nos seguintes sites:

http://super.abril.com.br/blogs/superblog/design-pode-fazer-voce-feliz/

http://abduzeedo.com.br/o-trabalho-incr%C3%ADvel-de-stefan-sagmeister

http://www.zupi.com.br/index.php/view/stefan_sagmeister_/

http://www.brzcomunicacao.com.br/artigos/intervencao-urbana-ferramenta-criativa/

http://www.ted.com/

http://www.ypsilon2.com/blog/publicidade/stefan-sagmeister-em-here-for-good-nova-campanha-global-do-standard-chartered-bank/

1 comentários:

Iara Mol disse...

Olá Iara! Adoramos seu post! Abraços e boas férias.
Iara e Flávio.

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